Naamã era comandante do exército da Síria. Era um homem importante, respeitado pelo rei e conhecido por suas vitórias nas batalhas. Apesar de toda a sua autoridade, porém, havia algo que ele não conseguia resolver: Naamã sofria de uma grave doença de pele.
Na casa do comandante trabalhava uma menina israelita. Ela havia sido levada de sua terra durante uma das incursões dos sírios e agora servia à esposa de Naamã.
Certo dia, a menina falou à sua senhora:
— Se o meu senhor procurasse o profeta que está em Samaria, ele poderia ser curado de sua doença.
Aquelas poucas palavras chegaram até Naamã, e a notícia logo foi levada também ao rei da Síria. Ao saber que poderia haver em Israel alguém capaz de ajudá-lo, o rei decidiu enviar seu comandante até lá.
Naamã partiu levando uma carta para o rei de Israel, além de prata, ouro e roupas para oferecer como presentes. Seus cavalos e carros seguiram pela estrada até que a comitiva chegou à terra de Israel.
Quando o rei de Israel recebeu a carta, ficou muito perturbado. O rei da Síria lhe pedia que Naamã fosse curado de sua doença, mas ele sabia que não tinha poder para fazer aquilo. Então rasgou suas roupas e perguntou:
— Por acaso sou Deus, capaz de dar a vida ou tirá-la? Por que esse homem está sendo enviado a mim para que eu o cure?
O profeta Eliseu soube do que havia acontecido e enviou uma mensagem ao rei.
— Por que o senhor rasgou suas roupas? Mande Naamã vir até mim, e ele saberá que há profeta em Israel.
Assim, Naamã seguiu viagem e parou diante da casa de Eliseu com seus cavalos e carros.
Talvez esperasse encontrar o profeta à sua porta, mas Eliseu não saiu para recebê-lo. Em vez disso, enviou um mensageiro com uma orientação:
— Vá ao rio Jordão e lave-se sete vezes. Sua pele será restaurada, e você ficará curado.
Naamã não gostou do que ouviu. Ele havia imaginado que Eliseu sairia para encontrá-lo, invocaria o nome do Senhor e faria alguma coisa diante de seus olhos para curá-lo.
Além disso, não entendia por que deveria entrar justamente no Jordão.
— Os rios de Damasco não são melhores do que todas as águas de Israel? — perguntou indignado. — Eu não poderia me lavar neles e ficar curado?
Naamã se virou e começou a ir embora muito irritado.
Seus servos, porém, se aproximaram e falaram com ele.
— Se o profeta tivesse pedido ao senhor alguma coisa muito difícil, o senhor não teria feito? Então por que não fazer o que ele mandou, já que apenas disse que se lave e fique curado?
Naamã ouviu seus servos e decidiu fazer aquilo que Eliseu havia ordenado.
Foi até o rio Jordão, entrou na água e mergulhou uma vez.
Depois mergulhou novamente.
E continuou até completar sete mergulhos, exatamente como o homem de Deus havia mandado.
Quando saiu da água pela sétima vez, sua pele estava restaurada. A doença havia desaparecido, e sua pele estava limpa como a de uma criança.
Naamã voltou imediatamente à casa de Eliseu com todos os homens que o acompanhavam. Dessa vez, ficou diante do profeta e declarou:
— Agora sei que não há Deus em toda a terra, senão em Israel.
Então pediu que Eliseu aceitasse um presente.
Mas o profeta respondeu:
— Tão certo como vive o Senhor, a quem sirvo, não aceitarei nada.
Naamã insistiu, mas Eliseu continuou recusando.
A prata, o ouro e as roupas que Naamã havia levado não poderiam comprar aquilo que Deus havia feito.
Antes de partir, Naamã afirmou que daquele momento em diante não ofereceria sacrifícios a outros deuses, mas ao Senhor. Depois de conversar ainda um pouco com Eliseu sobre aquilo que enfrentaria ao voltar para sua terra, ouviu do profeta:
— Vá em paz.
E Naamã iniciou a viagem de volta para a Síria.
Tudo havia começado muito antes de ele chegar ao Jordão. Na casa daquele importante comandante, uma menina israelita havia decidido falar sobre o profeta que servia ao Deus de Israel.
Naamã saiu de sua terra procurando a cura para uma doença, mas voltou tendo descoberto algo ainda maior: o Deus de Israel era o verdadeiro Deus.








